História da Universidade de Coimbra

A fundação da Universidade de Coimbra, o mais antigo estabelecimento de ensino superior em Portugal, realizou-se a 1 de Março de 1290, através de diploma régio emitido por D. Dinis, Rei de Portugal.

Apesar de, durante toda a Idade Média ter sido transferida para Lisboa, volta definitivamente para Coimbra em 1537, por ordem do Rei D. João III, consolidando assim a tradição escolar anterior da cidade e afirmando, ao mesmo tempo, a sua autonomia.

O Paço da Alcáçova, antigo palácio real situado no topo da colina, foi o edifício eleito para acolher a Universidade de Coimbra, vindo a sofrer obras de remodelação nos reinados de D. Manuel I e D. João III.

A Universidade foi-se estendendo por Coimbra, modificando-lhe a paisagem. Durante o século XX, assistimos à criação do Pólo II (dedicado às engenharias) e neste século ao Pólo III (dedicado à área das ciências da saúde).

Com uma incortonável herança histórica, a Universidade de Coimbra, celebrou em 2015 o seu 725º aniversário.

Vida Académica

Estudar em Coimbra é diferente de estudar em qualquer outra parte do país. As relações são mais fortes, os sentimentos e as alegrias mais vividas. Devido à enorme tradição e vida académica nesta cidade, as amizades que aqui se constroem perduram para toda a vida.

Existe uma extensa lista de tradições que influenciam a esta vida académica:

  • Praxe – Surgiu na Universidade de Coimbra como forma dos mais velhos integrarem os caloiros (recém-chegados), num ambiente de hierarquia. Conhecidas inicialmente como “investidas” foram suspensas em 1727 pelo rei D. João V devido à morte de um estudante. Apenas nos anos 80 do século XX é que se começou a adquirir moldes que hoje em dia se pratica. Hoje em dia a praxe existe na maioria das instituições de ensino superior do país. Baseado na expressão “Dura Lex Sed Lex” (“A lei é dura, mas é lei”), a praxe tem como lema “Dura Praxis Sed Praxis” (“A praxe é dura, mas é praxe”) para marcar a ideia que quem quer entrar neste mundo, tem que se sujeitar às regras.

  • Traje – Têm origem nas indumentárias dos padres (que dominaram o ensino em Portugal durante muito tempo) e surgiram como forma de diferencial os estudantes das restantes classes e eliminar distinções entre alunos. O elemento mais conhecido e também o mais icónico é a capa.

  • Queima das Fitas – Na década de 50 do século XIX os estudantes que terminavam o 4º ano e terminavam a vida estudantil começaram a ganhar o hábito de queimar as fitas que representavam o seu curso como forma de encerrar o percurso académico. Daqui evoluiu para um festival de atividades académicas (com o primeiro cartaz estruturado em 1901) e serviu de base para as semanas académicas que hoje se realizam.

  • Latada – Também conhecida como “Festa das Latas” surgiu como cortejo carnavalesco onde os caloiros se apresentavam a cidade com vários cartazes e adereços, mas ironicamente sem latas (daí o nome). Apenas nos anos 70 começou-se a usar latas atadas por fios.

  • Repúblicas – Originadas em Coimbra, as repúblicas foram criadas pelo Diploma de 1309 de D. Dinis, onde ordenava a construção de casas destinadas a estudantes. Estas casas são geridas pelos residentes onde todos são “iguais”, ao contrário da hierarquização que se encontra na praxe. Cada república tem as suas tradições (hinos, símbolos, gritos, etc).