Festas Académicas

Coimbra é uma cidade conhecida pela sua larga ligação aos estudantes universitários, sendo um marco da vida universitária as conhecidas festas académicas e tradições associadas a estas.

As principais festas são a Festa das Latas e Imposição de Insígnias e a Queima das Fitas.

Festas das Latas e Imposição das Insígnias

A primeira é a Festas das Latas e Imposição das Insígnias, também conhecida como “Latada”, que acontece no início do ano escolar, para dar as boas-vindas aos novos estudantes (caloiros ou novatos). As Latadas começaram no século XIX quando os estudantes exprimiam ruidosamente a sua alegria pelo termo do ano letivo em maio. Utilizavam para isso todos os objetos que produzissem barulho, nomeadamente latas. Foi a partir dos anos 1950/60 que as Latadas passaram a ocorrer, não no termo do ano letivo, mas sim no início, coincidindo com a abertura da Universidade e a chegada da população escolar de férias, o que dava à cidade um clima eminentemente académico. Atualmente os caloiros, incorporados no cortejo, vestem uma fantasia pessoal com as cores da sua faculdade ou a batina virada do avesso, transportando cartazes com legendas de conteúdo crítico, alusivos à vida escolar ou nacional. Os caloiros seguem em duas filas paralelas, com os padrinhos que devem ter um comportamento digno de um estudante de Coimbra, dando o exemplo aos novatos que se estão a iniciar na Praxe Académica. No fim do cortejo nas ruas da cidade, os novos estudantes são batizados no rio Mondego pelos seus padrinhos que proferem a frase “Ego te baptizo in nomine solemnissima praxis” (“Eu te batizo em nome de solene praxe”, numa tradução lata).

Queima das Fitas

A segunda festa (e a mais importante) é a Queima das Fitas.

Esta festa consta desde 1899, data na qual se realizou o “Centenário da Sebenta”, que tinha como objectivo ser uma réplica aos centenários comemorados entre 1880 e 1898 com o propósito de homenagear figuras e factos. Surgiu então a ideia de se realizar um centenário humorístico. Nos anos seguintes, o 4º ano jurídico organiza festas de igual cariz e introduz um novo aspecto: queimar as fitas que se usavam nas pastas e que indicavam a condição de pré-finalista. No entanto, esse queimar acabou por se tornar num ato simbólico que assenta no atingir de uma nova etapa: o término do curso. Em 1905 realizou-se o “Enterro do Grau” que foi uma consequência de uma reforma dos cursos universitários e então, pela primeira vez, verificou-se uma participação activa dos habitantes de Coimbra, considerando-se assim a Queima das Fitas como uma festa de comunhão com a população da cidade e cuja iniciativa pertencia aos estudantes. Foi em 1919 que as celebrações académicas começaram a adquirir a estrutura que apresentam atualmente.

Atualmente, a Queima das Fitas consiste em 8 dias de festa, tendo início na quinta-feira antes da data marcada para a queima do grelo, com uma serenata monumental nas escadas da Sé Velha de Coimbra. Cada dia é dedicado a uma das 8 faculdades da Universidade de Coimbra, segundo a hierarquia que o Código da Praxe lhes confere (por ordem descendente: Medicina, Direito, Ciências e Tecnologia, Letras, Farmácia, Economia, Psicologia e Ciências da Educação e, por fim, Ciências do Desporto e Educação Física). No domingo, terceiro dia da Queima das Fitas, realiza-se o Cortejo Académico onde os estudantes universitários desfilam pelas ruas de Coimbra, mais concretamente, desde a Alta até à Baixa. Os finalistas levam as suas cartolas, bengalas e pastas com as fitas das cores da sua faculdade com dedicatórias dos familiares e amigos. Os universitários desfilam em grupo com o curso a que pertencem. Neste Cortejo, encontram-se carros alegóricos decorados com as cores da faculdade a que pertencem, transportando criticismo irónico, normalmente dedicado a alguns professores, ao sistema educativo, a eventos nacionais e a políticos. Para além destes marcos, a Praça da Canção de Coimbra é transformada num enorme recinto de festival, onde vários artistas animam as milhares de pessoas lá presentes.

Praxe

A Praxe de Coimbra é uma tradição com centenas de anos de história na nossa academia, sendo um dos maiores e mais relevantes símbolos da vida académica Coimbrã. Ao longo de toda a sua história teve e tem como principal objetivo a integração e introdução dos novos estudantes da Universidade de Coimbra nos costumes e tradições da mesma.

Com a introdução do primeiro código da Praxe em 1957, a Praxe deixou de ser apenas uma tradição que era passada de geração em geração pelos estudantes, tendo-se tornado numa instituição com regras cujo objetivo é respeitar esta tradição centenária, sendo o Conselho de Veteranos da Universidade de Coimbra o seu órgão responsável.

Esta tradição é também respeitada no nosso curso, sendo este um dos que mais contribui para a continuação e preservação dos seus costumes de integração dos novos estudantes de Electro.