História

A Associação Académica de Coimbra, foi fundada no dia 3 de Novembro de 1887. O primeiro presidente da AAC foi António Luiz Gomes, estudante de Direito que mais tarde se tornou reitor da Universidade de Coimbra. O primeiro jogo de futebol desta associação de estudantes foi disputado no ano de 1912 frente ao ginásio clube de Coimbra, na Ínsua dos Bentos, local na altura utilizado pela Associação Académica de Coimbra para praticar a modalidade. Neste encontro as cores escolhidas para o equipamento dos jogadores foram o branco para as camisolas e o preto para os calções, estas cores são ainda hoje as cores que simbolizam esta associação.

No dia 5 de Março de 1922 foi oficialmente inaugurado o campo de Santa Cruz, que passou a partir desse dia a ser o campo da Académica. Em Outubro desse mesmo ano, criou-se então a Associação de Futebol de Coimbra. Com ela surgiram as primeiras competições distritais, que os estudantes venceram sem grandes dificuldades, chegando mesmo a sagrar-se tricampeões distritais no ano de 1924/1925 e finalistas do campeonato de Portugal ainda em 1922. A “Baralha Teórica”, primeira claque da Académica, surgiu em Novembro de 1927 e foi o resultado da crescente paixão dos estudantes de Coimbra pelo futebol. Este grupo ficou caracterizado pelos seus “10 mandamentos”, designados de estatutos da claque. Apesar de se ter dissolvido uns anos mais tarde, os maiores apoiantes da Académica ficarão para sempre conhecidos como os
“teóricos”.

Já nos anos 30, quando a representação estudantil na Assembleia Geral e no Senado foi suspensa pelo governo de António de Oliveira Salazar, foram muitos os protestos que surgiram na defesa dos direitos dos estudantes. A esses protestos juntou-se um grupo de alunos brasileiros, membros da Frente Republicana Académica que, durante uma manifestação, gritou as iniciais FRA, seguida da saudação “Alecoá, lecoá, lecoá; chi-ri-bi-tá-tá-tá-tá; chi-ri-bi-tá-tá-tá-tá; hurra, hurra!”. O grito fez tal sucesso junto dos estudantes da AAC que rapidamente foi adoptado como grito académico de Coimbra, perdurando até aos dias de hoje.

Desde os términos dos anos trinta, até finais dos anos cinquenta, foram 3 os principais acontecimentos na história desta Associação, entre elas, a conquista da primeira Taça de Portugal, competição esta que substituiu o até então denominado Campeonato de Portugal. A estreia da Académica no novo estádio Municipal, abandonando o campo de Santa Cruz. Neste novo recinto, a grande novidade foi o facto de ser relvado, algo que era até então completamente desconhecido em Coimbra. Por último, o facto de a equipa de juniores da Briosa se ter sagrado nos fins dos anos cinquenta, pela primeira vez na História , campeã nacional.

A temporada 1966/67 foi a melhor de sempre da Académica. No campeonato a Briosa terminou na segunda posição atrás do Benfica naquele que foi um duelo bastante intenso e que durou até ao final. Três pontos apenas separaram as duas equipas no final do campeonato que coroou ainda o avançado Artur Jorge como segundo melhor marcador da competição, apenas ultrapassado por Eusébio. Depois de brilhantes prestações no campeonato e na Taça de Portugal, a equipa de juvenis da Briosa realizou também ela, uma brilhante campanha que terminou com a conquista do campeonato nacional.

Na temporada 1968/1969 a Académica fez a sua estreia em competições europeias e só o desempate por moeda ao ar a fez ser eliminada na primeira ronda da Taça das Cidades, aos pés dos franceses do Olympique de Lyon. A Briosa perdera em França por 1-0 mas em Coimbra venceu pelo mesmo resultado.

Outro momento histórico para a Académica foi aquele que se viveu na noite de 27 de Julho de 1984, na qual Ricardo Roque e Jorge Anjinho assinaram um protocolo que terminava assim: “O Clube Académico de Coimbra é integrado na Academia como Organismo Autónomo ‘sui generis’ da Associação Académica de Coimbra. O seu nome passará a ser Associação Académica de Coimbra / Organismo Autónomo de Futebol (…). O Organismo Autónomo procurará continuar a obra da antiga Secção de Futebol da AAC, quer na alta competição do futebol, quer na formação social dos seus atletas.”.

O ano de 1985 ficou marcado pelo nascimento, no Pavilhão Eng. Jorge Anjinho, da mais antiga falange de apoio da Académica que ainda hoje se encontra em plena actividade. A Mancha Negra veio dar outro colorido aos jogos da Briosa e estreou-se a 3 de Março de 1985, no jogo Académica – Sporting de Braga. Para símbolo oficial da claque foi escolhida uma das mais populares personagens da Walt Disney: o Mancha Negra. O lema desta claque é “Se jogasses no céu … morreríamos para te ver”, que claramente demonstra a importância desta claque na vida da Académica, que é reconhecida por todos e está sempre presente onde quer que a Briosa jogue.

O estádio cidade de Coimbra foi remodelado para se tornar no Academia Dolce Vita e posteriormente no Alma Shopping que é hoje, a casa-forte da Académica. Situada no limiar da cidade de Coimbra, o centro de treinos da Briosa é um espaço exemplar que apresenta condições de excelência, ideais para um clube de futebol profissional, bem como para todos os seus escalões de formação.

Outro acontecimento importante na história deste clube, está ligado a Nuno Piloto, ex-capitão da Briosa, que defendeu no dia 5 de Junho de 2009, com sucesso a sua tese de mestrado subordinada ao tema “A utilização da Eritropoietina (rh EPO) no doping: estudos dos efeitos cardio-vasculares e metabólicos em ratos submetidos a exercício físico” e provou o porquê de a Briosa ser um clube singular e único. O médio, licenciado em Bioquímica pela Universidade de Coimbra, dava assim mais um passo em frente na sua formação académica, sendo-lhe conferido o grau de mestre com a nota final de Muito Bom. Em declarações ao Site Oficial da Académica, Nuno Piloto mostrava-se orgulhoso pelo feito, tendo ainda dito que “É importante ter alguns jogadores na Académica que representem a tradição e a mística do clube e sinto-me orgulhoso por me encaixar nesse perfil”.

A Académica conseguiu ainda durante os anos de 2002 a 2015, passar 14 anos seguidos na 1ª Divisão tendo a temporada 2011/2012 sido uma das melhores de sempre da Académica. No final de contas, os “estudantes” não só conseguiram a manutenção na 1ª Divisão (o grande objectivo da temporada), como também se qualificaram para as competições europeias. A AAF entrou na temporada 2012/2013 com a moral em alta. A vitória na Taça de Portugal na época transacta cumpriu o “sonho de gerações” dos adeptos da Briosa e para este novo ano estava reservada uma nova e especial aventura: o regresso às competições europeias e logo com acesso directo à Fase de Grupos da Liga Europa. O sorteio ditou o Viktoria Plzen (República Checa) Hapoel Tel-Aviv (Israel) e Atlético Madrid (Espanha) como adversários no Grupo B da
competição e os “estudantes” cedo se assumiram como os “outsiders” da prova. A Académica terminou na terceira posição e não conseguiu a qualificação para a fase seguinte mas para a História fica a vitória sobre o Atlético de Madrid, em Coimbra, por 2-0. Os madrilenos eram os detentores do troféu e gabavam-se de terem alcançado um feito inédito de 16 vitórias consecutivas na Europa. Caíram… em Coimbra. A prestação da Académica não envergonhou ninguém e a imagem deixada na Europa do futebol foi muito positiva. Os adeptos dos “estudantes” acompanharam a equipa para todo o lado (1500 foram a Madrid ) e presentaram
uma coreografia diferente para todos os jogos realizados em casa. Uma experiência os estudantes gostaria de um dia vir a repetir.